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Quando comecei este projeto, a minha vontade era escrever (e por isso começou por ser um blogue).

Não era tanto escrever sobre os meus pensamentos e emoções, mas para partilhar algumas aprendizagens e experiências de forma a que outras pessoas pudessem identificar-se e pensar “olha, há mais alguém que já passou por isto” ou “afinal não sou o único a sentir-me assim”.

A sensação de “não estarmos sozinhos” em quaisquer que sejam os nossos desafios traz uma leveza e uma tranquilidade que nos ajudam a ultrapassar o que quer que estejamos a passar.

No meio do caminho comecei a misturar esta escrita mais pessoal com uma escrita mais “formatada”, mais racional e menos sentida, onde fazia curadoria de conteúdo e tentava descomplicar alguns conceitos.

Acho que foi nesse momento que me comecei a sentir cansada de escrever.

Comecei a colocar em causa para que é que estava a fazer isto. Qual era o meu propósito.

Mas não foi só o facto de me estar a entregar à escrita de forma diferente que me causou desconforto.

No início do blogue quis experimentar até que ponto conseguiria ser consistente na escrita.

Porque, dizem os especialistas, é importante escrever todos os dias para se ser cada vez melhor. É importante criar conteúdos com regularidade para ganhar uma audiência, credibilidade e autoridade.

Propus-me escrever um artigo no blogue por semana.

E durante 3 meses consegui.

Mas depois, a certa altura comecei a ficar muito cansada desta obrigatoriedade e exigência de escrever semanalmente. Porque não era apenas escrever do coração.

Era escrever para que fosse interessante para o leitor e lhe aportasse valor.

O que implicava pesquisa e estruturação.

Era escrever para ganhar visibilidade nos motores de busca, para poder chegar a mais pessoas que pesquisassem este tipo de conteúdos.

Isso exigia otimizar para SEO, pesquisar palavras-chave, escrever títulos que não iam bem ao encontro daquilo que queria.

No fundo, a certa altura, toda a minha escrita estava a ser condicionada por uma série de fatores que na verdade apenas dependiam de mim, e de mais ninguém.

O bom de termos um blogue, ou um projeto pessoal, é que, não só podemos decidir o que acontece, mas como acontece e quando acontece.

Nós podemos escolher escolher.

E eu esqueci-me que essa escolha estava nas minhas mãos!

Daí que, de artigo semanal, passou para quinzenal, depois para mensal, e nos últimos meses tal foi o volume de trabalho que deixei mesmo de escrever.

Isto não teria importância nenhuma, não fosse ultimamente… sentir falta de escrever!

Escrever assim, como este artigo que estás a ler: do coração, sem grandes conceitos que possam vir a melhorar a tua vida ou aportar valor para o teu dia.

Mas escrever aquilo que sinto, as dificuldades reais de quem se mete numa coisa destas e depois, às tantas, anda à deriva. Seja porque escuta demais o que dizem as pessoas de fora, seja porque perdeu o seu norte.

 E isto é aquilo que faz toda a diferença para mim.

Não há cá SEO, nem atenção às palavras de transição, ou se tenho a palavra chave repetida “n” vezes ao longo do texto.

Isto é escrever para quem quer efetivamente ler aquilo que tenho para partilhar.

Mesmo que não possa ser encontrado num motor de busca…

E porquê este desabafo?

Porque ontem à noite estava o ler o livro do Austin Kleon – “A arte do gamanço” e um dos capítulos é “Escreva o livro que quer ler”.

E fez-se um “plim!” ?

Claro, faz todo o sentido!

Não é que não possa ter alguma atenção às técnicas de escrita.

Mas devo apostar mais naquilo que pretendo partilhar com este projeto e, para isso, preciso de sentir liberdade para escrever quando quero, sobre o que quero, da forma como quero, mais ou menos emocional.

Eis o manifesto: desenhe a arte que quer ver, funde a empresa que quer gerir, toque a música que quer ouvir, escreva os livros que quer ler, crie os produtos que quer usar – faça o trabalho que quer ver feito.

Austin Kleon

No fundo, esta mensagem tem muito a ver com seguirmos a nossa intuição, utilizarmos os nossos talentos para fazer aquilo que mais gostamos e manter alinhamento interno entre o que somos, o que pensamos e o que fazemos.

Fazer / Escolher fazer aquilo que nos faz sentir felizes.

E só assim sentiremos motivados para continuar com qualquer projeto de vida.

Seguimos juntos ?

Créditos da imagem:  Veronika Andrews

Nota: Este artigo contém links para afiliados.

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