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Como tomar as melhores decisões

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Tempo de leitura: 6 minutos

Acabo de ler o livro “Sim ou Não“, do Dr. Spencer Johnson e quero partilhar contigo o seu método para saberes como tomar as melhores decisões!

O autor, um dos mais respeitados na área do desenvolvimento pessoal, propõe colocares-te duas questões quando estás perante uma tomada de decisão: uma pergunta prática, em que utilizas a cabeça para responder; uma pergunta emocional, em que deves recorrer ao teu coração.

A tomada de decisão não deve ser feita com o sentido de urgência.

Deves tirar algum tempo para refletir sobre estas questões, voltar atrás numa primeira decisão, se necessário, e só depois, poderás decidir da forma mais acertada.

Cada uma destas questões, subdivide-se em três reflexões às quais deve ser dada uma simples resposta: Sim ou Não 🙂

Para simplificar, vou dividir as questões, e respetivas reflexões, em tópicos.

Preparado?

Como tomar as melhores decisões:
Usa a cabeça

Estarei eu a ir ao encontro daquilo que é realmente necessário, a ter em consideração as opções em aberto e a pensar exaustivamente no assunto?

Esta é a pergunta prática, em que deves ser racional e analisar os factos, para uma resposta ponderada.

1. Estarei eu a ir ao encontro daquilo que é realmente necessário?

Começa por perguntar-te se a decisão que pretendes tomar é algo que simplesmente desejas ou algo que realmente tens necessidade.

Um desejo é algo de que se tem vontade. Uma necessidade representa algo indispensável.

Por exemplo, imagina que tens de decidir entre duas ofertas de trabalho.

A oferta A oferece-te um aumento de 200 € mensais; a oferta B mantém o teu salário atual, mas dá-te a possibilidade de fazeres algo completamente diferente a nível profissional e evoluir na tua carreira.

Qual é a tua verdadeira necessidade no momento: ter mais dinheiro, para uma maior segurança financeira ou ter um desafio, para sentires realização profissional?

O aumento salarial pode representar em muitas situações um mero desejo.
A pessoa acha que ao receber mais, vai ter mais possibilidades de conforto e estabilidade financeira, mas se não se sentir realizada, ao fim de algum tempo a insatisfação vai manifestar-se. Muitas vezes, ainda com mais força.

Por outro lado, se estás mesmo fartinho do teu trabalho atual e só pensas em sair daquele ambiente, a possibilidade de um novo desafio pode parecer-te a luz ao fundo do túnel e manter o teu salário é uma excelente oferta. Mas se o teu salário atual representar apenas um meio de sobrevivência, ao fim de algum tempo, vais começar a olhar para trás e ponderar se devias ter optado pela outra opção.

Muitas vezes, julgamos que aquilo que pretendemos nos vai trazer felicidade, mas ao fim de algum tempo, a insatisfação volta.

Existem vários estudos que falam desta interpretação errada da realidade. Achamos que vamos ser felizes com um salário maior, um emprego melhor, uma relação diferente… mas quando atingimos aquilo que pretendemos, a insatisfação volta a instalar-se e precisamos de um novo objetivo.

A necessidade que está por trás dos nossos desejos é algo mais básico e mais estruturante, por isso, deves tirar algum tempo para conhecer aquilo que verdadeiramente precisas, naquele momento em que tens de tomar uma decisão (lê este artigo em que falo de alguns métodos para reconheceres as tuas necessidades).

2. Estarei eu a ter em consideração as opções em aberto?

Escolher escolher.

É um dos princípios básicos que muitas vezes nos esquecemos.

São poucos os problemas que não têm soluções, mas a capacidade para ver a opção de escolha pode, por vezes, estar enferrujada.

Uma das melhores ferramentas para encontrares várias opções para um desafio é a criatividade.

Distanciar do problema, olhar para ele de cima, com uma visão de helicóptero e questionar: se eu não tivesse qualquer impedimento (falta de dinheiro, falta de tempo, medo de falhar, etc.), como é que poderia resolver aquele problema?

Listar todas as opções e pensar um pouco fora da caixa, pode ajudar a encontrar um número de possibilidades que não reduz o problema a uma única solução.

No livro “Sim ou Não”, é sugerido que reúnas toda a informação possível para analisar as opções de que dispões.

Recolher factos, de forma a ter informação mais realista, ajuda-nos a sentir mais confiantes e seguros.

Tenta perceber se tens de facto toda a informação de que precisas, senão, quem a tem, onde se encontra e como podes obter. Comprova tudo por ti mesma e analisa todas as opções de que dispões para chegar aos resultados que pretendes.

3. Estarei eu a pensar exaustivamente sobre o assunto?

Imagina que tomas a tua decisão, aquela que te parece ser a melhor decisão possível.

O que irá, provavelmente, acontecer? E depois? E depois?

O resultado não te parece o melhor? Então, volta atrás e imagina outro cenário, com outra possível decisão e volta a visualizar o que irá acontecer quando avançares com a mesma. O que pode acontecer no melhor dos cenários? E no pior?

Desta forma estás a imaginar em pormenor aquilo que acontecerá se atuares de acordo com a tua tomada de decisão, e isto ajuda-te a obter melhores resultados.

Depois de refletires sobre estas 3 questões, volta a colocar-te a pergunta inicial «Estarei eu a ir ao encontro daquilo que é realmente necessário, a ter em consideração as opções em aberto e a pensar exaustivamente no assunto?» e responde: SIM ou NÃO.

Se responderes “Não” nesta fase, deves ter atenção para onde te estás a dirigir, uma vez que, existe um bom indício que podes não estar inclinado a tomar a melhor decisão. Ou seja, aquela que te vai trazer os melhores resultados, aqueles que vão ao encontro da tua necessidade real.

Como tomar a melhor decisão:
Usa o coração

A minha decisão demonstra que sou honesto comigo próprio, que confio na minha intuição e que mereço mais?

Esta é a pergunta emocional, em que deves procurar escutar o teu coração e sentir, em vez de pensar sobre os factos.

1. Sou honesto comigo próprio?

Integridade. Uma pessoa íntegra diz a verdade a si mesma. Uma pessoa honesta diz a verdade aos outros.

Quantas vezes não nos enganamos, fazendo ou dizendo coisas nas quais, verdadeiramente não acreditamos? Para sermos aceites num grupo ou porque temos medo de encarar a realidade tal como ela existe, a nossa verdade.

Acreditarmos nas nossas próprias ilusões só piora as situações. Quanto mais cedo começarmos a dizer a verdade a nós mesmos, mais facilmente somos honestos com os outros.

Uma pergunta poderosa que utilizo quando estou perante uma situação em que não sei o que fazer é “Eu tenho de fazer isto ou eu quero fazer isto”?

O poder destes dois verbos é abismal e mostra claramente aquilo que tens de fazer por obrigação ou por prazer.

Desta forma, quando tens de fazer uma escolha em que te sentes dividida emocionalmente, torna-se claro o que sentes de verdade em relação àquela situação.

Quando descobrimos a verdade, a decisão torna-se óbvia.

2. Estou a confiar na minha intuição?

A intuição é apresentada pelo autor como “o seu conhecimento inconsciente que se baseia na sua experiência pessoal”.

Ou seja, recordando a forma como tomaste decisões no passado e aquilo que sentiste na altura, bem como os resultados dessa decisão, permite-te relacionar o que sentias no momento com os resultados que obtiveste e de que modo se interligam.

Sentias-te tranquilo ou ansioso? Hesitante ou confiante? Esgotado ou enérgico? Receoso ou entusiasmado? Em esforço ou com naturalidade?

Como te sentes em relação ao modo como estás a tomar a decisão revela a tua intuição a falar. O teu inconsciente a dar-te pistas acertadas sobre o caminho que deves seguir.

Um exercício muito simples que podes utilizar para perceber como funciona a intuição, é este:

Retomando o exemplo das duas ofertas de trabalho, escreve num pedaço de papel “opção A” e noutro papel idêntico “Opção B”.

Dobra ambos da mesma forma. Mistura-os, por exemplo, dentro de um saco e deita-os no chão.

Sem pensar, agarra o primeiro que sentires que tens de abrir.

Quando abrires o papel, o que é que sentes?

Entusiasmo ou Desilusão?

A primeira emoção que sentes é aquela que diz mais acerca da tua decisão. É a tua intuição a falar.

3. Acredito que mereço mais?

Percepção. A resposta intuitiva a esta pergunta seria “sim, eu mereço mais”.

Mas, se explorares algumas decisões que tomaste no passado, cujos resultados não foram tão positivos, possivelmente vais perceber que, por vezes, podes ter agido de uma forma que sabias não ser do teu melhor interesse, e mesmo assim, avançaste.

Podes pensar que mereces mais, mas as tuas ações poderão demonstrar que não acreditas realmente que assim seja.

A questão do merecimento é difícil de ser captada pela mente, mas quando o coração sente a verdade que encerra, ajuda-nos a tomar decisões mais acertadas.

É difícil tomar esta consciência, porque, de facto, existem algumas convicções dentro de nós das quais não estamos conscientes.

Estas convicções, de que o autor fala, a meu ver, relacionam-se com as crenças limitadoras, que nos impedem de ver ou fazer as coisas de forma diferente.

Pese embora todo o processo seja inconsciente, é possível perceberes, através da análise de experiências passadas, quando tomaste decisões que foram sabotadas pela tuas convicções inconscientes.

Vou dar-te um exemplo pessoal.

Conheço uma pessoa que, recentemente, mudou de profissão. Esteve alguns meses à procura de trabalho na nova área porque sentia não estar à altura de alguns requisitos que os anúncios pediam. Quando recebeu uma oferta de trabalho, que reunia as condições que procurava, a empresa estava indecisa entre pagar 700 € e 750 €.

A pessoa, sentindo que ainda não estava à altura daquele trabalho, aceitou pelo valor mais baixo, ainda que ressalvasse rever o valor após 6 meses, quando já tivesse mostrado competências à empresa.

Achas que esta pessoa acredita que merece mais?

Não deveria ela ter aceite o valor mais alto, porque sabe, na sua essência, que é capaz de entregar um trabalho de excelência? E que merece receber em função das suas competências?

Obtemos muitas vezes os resultados que, sem estarmos conscientes disso, julgamos merecer.

Inconscientemente estas convicções levam-nos a prejudicar as nossas ações, por isso, é muito importante o trabalho de auto reflexão e análise de decisões passadas para, em consciência, tomar melhor decisões no presente, e no futuro.

Aqui está, o mapa do Dr. Spencer Johnson para poderes tomar as melhores decisões, usando a cabeça e o coração.

Se tiveres alguma decisão agora para tomar, experimenta colocar todas estas questões.

Pode exigir mais tempo e reflexão, mas se garante um melhor resultado, certamente vale a pena, não achas?

Seguimos juntos!

Créditos da imagem: Steve Buissinne por Pixabay
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