5 Lições do livro “Primeiro Pergunte Porquê” de Simon Sinek

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Tempo de leitura: 6 minutos

Antes de mais, dizer-te que, se nunca ouviste falar neste livro, nem no autor, deves assistir à TED Talk sobre liderança mais vista de sempre, onde Simon Sinek fala sobre como os grandes líderes nos inspiram a fazer sempre melhor.

Simon Sinek conceptualizou a teoria do Círculo Dourado depois de um período menos positivo na sua vida em que se sentiu um fracasso, durante o qual começou a investigar a razão pela qual o marketing (a sua área de atuação) funcionava apenas em 50% das vezes.

Associou o conceito do Círculo Dourado à biologia do cérebro e do comportamento humano e descobriu a razão pela qual as pessoas fazem o que fazem:

  1. As pessoas têm de ter um PORQUÊ para as mover. Um propósito, uma crença, uma causa.
  2. Só depois das pessoas terem esse PORQUÊ bem claro, conseguem definir as ações que se desenvolvem para concretizar essa crença: o COMO.
  3. O resultado dessas ações será O QUE as pessoas fazem.

O PORQUÊ implica clareza.

O COMO implica disciplina.

O QUÊ implica consistência.

PORQUÊ-COMO-O QUÊ existem nesta ordem específica e precisam de existir em conjunto para o Círculo se manter em equilíbrio.

Lição 1: o PORQUÊ é sinónimo de PROPÓSITO

Tão simples e tão complexo quanto isto.

É frequente ouvir alguém dizer que tens de saber qual é o teu propósito para te sentires realizado e encontrares o teu caminho.

Aquilo que te inspira, que te faz sair da cama de manhã, que te apaixona, que te ajuda a atravessar os obstáculos.

O PORQUÊ de que Simon Sinek fala é exatamente a mesma coisa, mas adaptado à Liderança e ao mundo dos negócios.

No fundo, um verdadeiro Líder é aquele que sabe o que o move, que tem uma crença, uma causa tão forte e tão profunda que atrai pessoas que acreditam no mesmo. Pessoas que serão os seus seguidores, leais e portadores da sua mensagem. Pessoas que vão construir toda a estrutura necessária para concretizar a visão do seu Líder e pessoas que vão realizar tarefas e ações no sentido de tornar palpável aquela missão.

O abstrato transforma-se em concreto.

Encontrar o nosso PORQUÊ, ou o nosso PROPÓSITO não é fácil.

A não ser que sejas uma daquelas pessoas que realmente já tem esta clareza em si.

Menciono alguns dos exemplos que são dados no livro:

  • Steve Jobs: Desafiar o status quo | Pensar diferente
  • Bill Gates: Dar poder ao cidadão comum | Ajudar as pessoas a serem mais produtivas de modo a atingirem o seu potencial máximo
  • Howard Schultz, Starbucks: Proporcionar uma experiência clientes | Criar um espaço agradável, a meio caminho do trabalho para casa
  • Simon Sinek: Motivar as pessoas a fazer aquilo que as inspira

Lição 2: a anatomia do Círculo Dourado

A anatomia do Círculo Dourado

Esta associação entre o Círculo Dourado proposto pelo Simon Sinek e a estrutura do nosso cérebro faz todo o sentido.

E para quem gosta de ter uma base científica para tudo, aqui fica a explicação para os nossos instintos!

O nosso cérebro límbico (…) é poderoso o suficiente para conduzir um comportamento que às vezes contradiz a nossa compreensão racional e analítica de uma situação.

O instinto, apesar de parecer algo muito abstrato, tem na realidade uma base biológica.

As decisões intuitivas acontecem no cérebro límbico.

Uma parte do nosso cérebro responsável pelos sentimentos, pelos comportamentos humanos e pela tomada de decisões, mas que não tem capacidade para formular linguagem. Isto acontece noutra parte do cérebro, o neocórtex, responsável pelo pensamento racional e analítico, e pela linguagem.

Daí que, por vezes, sentimos que é a decisão certa, apesar de ir contra todos os factos racionais.

Simon traduz esta relação entre razão e instinto na tomada de decisões, nos 3 graus de certeza:

Os 3 graus de certeza na tomada de decisões

A capacidade de colocar um PORQUÊ em palavras fornece o contexto emocional para as decisões.

Lição 3: Paixão vs Estrutura ou Porquê vs Como

A criação de uma empresa parte muitas vezes de uma paixão.

Mas a paixão, por si só, é insuficiente.

Uma paixão sem estrutura – um PORQUÊ sem COMO – tem uma elevada probabilidade de fracasso.

No entanto, para fazer crescer a empresa, a estrutura precisa de paixão.

Ambas devem coexistir para evitar o fracasso.

Ainda que muitos dos empreendedores se vejam como visionários, apaixonados pelas suas ideias, na realidade, os mais bem-sucedidos são do tipo COMO.

Eles sabem como fazer as coisas, adoram construir processos e sistemas.

É por isso necessário uma parceria especial com alguém que saiba PORQUÊ, para que possam juntos construir um negócio que mude o rumo da indústria.

Lição 4: o Círculo adaptado às Organizações

O Círculo Dourado adaptado às organizações resulta nesta representação:

O Círculo Dourado nas Organizações

O líder idealiza o ponto de destino e aqueles que são do tipo COMO encontram o caminho para lá chegar.

Um líder não chega a nenhum sítio sozinho, precisa de seguidores, de pessoas leais que acreditem na sua crença e que façam acontecer.

Se desde o início for criada uma forte cultura organizacional, percecionada e praticada por todos os indivíduos, então existirá alinhamento com o propósito da organização e o conjunto de pessoas que dela fazem parte, transforma-se numa tribo.

A cultura permite integrar a visão do Líder, a missão de quem estrutura e o sentimento de pertença daqueles que fazem acontecer. É muito mais do que um conjunto de regras e princípios. É a identidade da empresa e é o que faz com que as pessoas gostem de trabalhar naquela organização.

Se o PORQUÊ não estiver bem enraizado na cultura organizacional, existe um forte risco de se perder ao longo do tempo e de conduzir a uma mudança dramática na identidade da empresa.

Para que uma organização continue a inspirar e a liderar para lá do tempo de vida do seu fundador, é necessário extrair o porquê do fundador e integrá-lo na cultura da empresa.

Lição 5: um mundo que não começa pelo Porquê

Este é um dos capítulos do livro que me levou a fazer uma reflexão sobre um caso português que, a meu ver, tinha tudo para dar certo, mas infelizmente, fracassou.

Estou a falar d’ A Vida é Bela.

A Vida é Bela foi a primeira empresa de marketing de experiências em Portugal e veio revolucionar este mercado.

O seu fundador, António Quina, era movido por decisões instintivas e muito pouco estruturadas. António tinha muitas ideias e, perante uma situação de desemprego, quis utilizar o seu know-how para reinventar o conceito dos programas de fidelização de clientes.

O conceito era novo. Foi bem recebido pelo mercado. As pessoas podiam comprar e oferecer experiências, em vez dos habituais presentes materiais.

António juntou algumas pessoas de confiança para poderem criar os processos e a estrutura necessária para o negócio funcionar.

O mercado estava tão disponível a este novo tipo de oferta que António quis aproveitar todas as oportunidades para fazer crescer o seu negócio.

Em pouco mais de um ano, a empresa mudou de uma minúscula casa residencial com um sótão, para dois pisos num prédio situado numa das zonas mais atrativas de Lisboa; a equipa passou de 6 pessoas para cerca de 100; o produto original começou a ser esquecido e substituído por outro que era mais rentável e fácil de vender nas cadeias de distribuição.

A certa altura, a empresa colapsou.

O crescimento da empresa foi demasiado grande e demasiado rápido. A estrutura da empresa não conseguiu acompanhar este ritmo. Não houve pausas para refletir. Nem tão pouco, se formos a ver bem, existia um PORQUÊ que valesse a pena salvar.

Esta é uma empresa que me diz muito pelo conceito emocional que trouxe à indústria. Tinha tudo para ser revolucionária e singrar no mercado das experiências. Mas uma má gestão e a falta de um Líder deitou tudo a perder, deixando dezenas de pessoas no desemprego.


Se estás a construir um projeto ou a considerar tirar da gaveta algumas ideias, não te esqueças de ter resposta para estas 3 perguntas e de manter sempre bem presente o teu “Porquê”!

Seguimos juntas!

Nota da autora: este artigo foi inicialmente publicado no Linkedin.
Neste artigo são utilizados links de afiliados.

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