Quero mudar de vida (profissional), mas (ainda) não sei o que quero fazer

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Tempo de leitura: 5 minutos

“Não sei”

Durante muito tempo esta foi a expressão que mais vezes dizia quando me perguntavam o que queria fazer.

Por muito que me sentisse frustrada e insatisfeita com o meu trabalho, não conseguia apontar o caminho que queria seguir.

Nunca gostei de monotonia, de tarefas iguais dia após dia, de tempos mortos, nem de pouco estímulo intelectual.

Sentia um aborrecimento enorme ao ir para a empresa, ficar lá fechada 8 horas por dia, confinada a 4 paredes, sempre a matutar “o que é que eu posso fazer de diferente?”

Não me sentia útil, nem a contribuir para a vida de alguém.

A expressão “não sei” assombrou-me durante muito tempo.

Não saber o que queria, nem por onde ir, levou a que ficasse refém das minhas competências e nunca conseguisse efetivamente fazer uma mudança de carreira.

Lá diz o gato da “Alice no País das Maravilhas”:

Se não sabes para onde queres ir, então qualquer caminho te serve.

Eu não tinha as ferramentas certas, nem o conhecimento necessário para encontrar respostas ou fazer escolhas diferentes.

Confesso que olho para trás com alguma tristeza por ver tantas mudanças de emprego que fiz sem conseguir perceber que acabava sempre por ir dar ao mesmo.

Escolhia o fator empregabilidade, ao invés de apostar em autoconhecimento, novas competências e diferentes experiências.

Se eu tivesse alguém que me tivesse dito isto na altura, teria valido ouro!

É por isso que quero partilhar contigo algumas das aprendizagens que retiro de todos os percalços que tive enquanto não sabia o que queria e também algumas estratégias para aceitares melhor essa dúvida na tua vida.

Muda de perspetiva

Quando digo que ando nisto há muito tempo, consigo recuar, pelo menos, até 2007: o ano em que terminei a Licenciatura em Assessoria de Administração e não sabia o que fazer a seguir (podes ler a minha história aqui).

Esta referência temporal é apenas para perceberes o quanto demorou até eu perceber o que significava a expressão “não sei” na minha vida.

Foi apenas em 2019, no processo de coaching que fiz com a Maria José Pita, que me foi apresentada uma perspetiva completamente transformadora.

Quando eu “não sei” existe todo um campo de possibilidades para explorar, o que torna esta expressão muito poderosa.

O importante é não ficar focado na angústia de não saber o que vem a seguir e começar a fazer experiências que te possam levar a algumas certezas: quer mostrem que o caminho não é por ali, quer mostrem que estás no sítio certo.

Foi aqui que eu falhei.

Eu sabia que não gostava do que fazia. Eu sabia que queria algo diferente. Mas nunca me permiti aprender novas competências e experimentar algo verdadeiramente diferente.

Olhando para trás, enquanto estive em transição entre empregos foi frequente iniciar um blogue, porque sempre gostei de escrever. Também passava mais tempo a aprender trabalhos manuais (trapilho, bijuteria, artesanato, …).

No entanto, nunca dei espaço, nem oportunidade, para olhar para estas experiências e perceber porque é que elas surgiam de forma recorrente na minha vida.

A minha procura de emprego focava-se naquilo que sabia fazer, nas minhas competências base, e lá ia eu atrás de um emprego em que houvesse diversidade e variedade de tarefas, pensando que isso me iria realizar.

Mas o problema mantinha-se, porque a natureza das tarefas que eu fazia era sempre igual. E eu apenas percebi isto quando fiz o programa “Acelerador Career Redesign” da Lourdes Monteiro no ano passado…

Para não caíres no mesmo erro que eu, além de mudares de perspetiva sobre aquilo que (ainda) não sabes, experimenta novas atividades e fica atento ao que sentes e ao que vai surgindo com essas experiências.

Fala com as pessoas certas

Tal como eu encontrei conforto na minha Coach, é importante que encontres alguém no teu círculo de pessoas próximas, ou fora dele, que possa compreender a tua incerteza e as tuas dúvidas para te ajudar no sentido certo.

O mais frequente é as pessoas que nos são mais próximas quererem o nosso bem, o que passa por estabilidade e segurança.

Por isso, ao partilhar que não estamos satisfeitos com o nosso trabalho, mas que não sabemos o que queremos, é normal que a resposta seja algo do género:

  • “Isso há sempre qualquer coisa que não nos agrada. Não há trabalhos perfeitos.”
  • ou “É preciso é receber o salário no fim do mês.”
  • ou ainda “Deixa-te estar onde estás, tens condições tão boas que não vais encontrar noutro lado.”

Altamente motivador não é?!?

Tive sempre a sorte de contar com o apoio da minha família nas mudanças de emprego que fiz. Mesmo que não concordassem com essas escolhas. Mesmo que também não percebessem afinal o que é que eu queria.

Já os amigos… “Mas já mudaste de trabalho outra vez?” ou “Então agora o que é que estás a fazer? Mudas tantas vezes que já perdi a conta” ou “O quê? Ainda estás na mesma empresa?”

É fácil não se ser compreendido quando andamos em busca de algo que nós próprios não sabemos bem o que é.

Mas faz toda a diferença teres à tua volta pessoas que te escutam, sem julgamentos e que fazem as perguntas certas.

Hoje em dia então, com a sociedade em plena reinvenção profissional, o que não faltam são programas para desenvolvimento pessoal, gestão de carreira e mudança profissional.

Procura ajuda. Procura as pessoas certas para falares sobre o que sentes.

Fazer este processo sozinha é difícil. Demorado. Muitas vezes, penoso.

(E se precisares, eu também estou aqui!)

Explora ao máximo tudo aquilo que já sabes que não queres

O mais comum é conseguirmos identificar concretamente aquilo de que não gostamos no nosso trabalho.

Mas se ficarmos por aí não vamos chegar a lado nenhum.

O truque é perceber: “se eu não gosto disto, então o que me poderia trazer satisfação?”

Vamos fazer um exercício? 😊

Passo 1

Faz uma lista com tudo aquilo que não gostas na tua vida profissional atual (também podes refletir sobre experiências anteriores).

Pode ser: o ambiente da empresa no geral, uma estrutura demasiado hierárquica, horários muito rígidos, uma cultura demasiado informal, um chefe (ou colega) tóxico, demasiada responsabilidade e/ou pressão, ausência de propósito, falta de estímulo intelectual, falta de progressão na carreira, falta de reconhecimento, salário baixo, poucos benefícios, natureza das tarefas, rotina, …

Reflete cuidadosamente sobre tudo aquilo que não gostas e que não queres para o teu futuro.

Passo 2

Agora pensa no inverso e lista tudo aquilo que gostarias de ter para sentir realização.

Por exemplo:

  • Se não gostas de uma estrutura muito hierárquica, gostarias de trabalhar numa empresa com uma cultura mais flexível?
  • Se sentes falta de reconhecimento, como seria sentir que és reconhecido no teu local de trabalho?
  • Se achas que recebes um salário baixo para as tuas funções, qual seria o valor justo para te sentires motivado?

Passo 3

O terceiro passo é listar como alcançar aquilo que te pode trazer realização.

Muitas vezes pensamos que é necessário mudar de emprego ou de carreira, mas na realidade, às vezes basta refletir sobre aquilo que não nos satisfaz e como poderíamos transformar isso.

Imagina:

  • Se gostavas de ser reconhecido pelo teu trabalho, com quem poderias abordar essa questão na tua empresa? Existe alguém que vejas a ser reconhecido? O que é que ele/a faz de diferente?
  • Se gostavas de receber um salário melhor, com quem deves falar para fazer este pedido? Que tipo de evidências precisas de recolher sobre o teu trabalho para mostrar que mereces esse aumento?  

Deixo-te como exemplo a minha própria reflexão.

Entra em ação

Não é a primeira vez que refiro nos meus artigos a importância de começar a fazer experiências e passar à ação.

Também aqui este conselho se aplica, tal como mencionei mais acima.

Para saíres do remoinho do “não sei” só tens de dar um passo e iniciar o movimento.

Deixo-te este vídeo inspirador da coach brasileira Paula Abreu que explica precisamente “Como entrar em ação quando você não sabe o que fazer”.

Partilha nos comentários se estas estratégias te fizeram sentido e se te ajudam de alguma forma a trazer leveza ao facto de ainda não saberes que mudança queres fazer na tua vida.

Seguimos juntos!

Créditos da imagem: Foto de Mac Mullins no Pexels

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