fbpx

“Não sei”

Durante muito tempo esta foi a expressão que mais vezes dizia quando me perguntavam o que queria fazer.

Por muito que me sentisse frustrada e insatisfeita com o meu trabalho, não conseguia apontar o caminho que queria seguir.

Nunca gostei de monotonia, de tarefas iguais dia após dia, de tempos mortos, nem de pouco estímulo intelectual.

Sentia um aborrecimento enorme ao ir para a empresa, ficar lá fechada 8 horas por dia, confinada a 4 paredes, sempre a matutar “o que é que eu posso fazer de diferente?”

Não me sentia útil, nem a contribuir para a vida de alguém.

A expressão “não sei” assombrou-me durante muito tempo.

Não saber o que queria, nem por onde ir, levou a que ficasse refém das minhas competências e nunca conseguisse efetivamente fazer uma mudança de carreira.

Lá diz o gato da “Alice no País das Maravilhas”:

Se não sabes para onde queres ir, então qualquer caminho te serve.

Eu não tinha as ferramentas certas, nem o conhecimento necessário para encontrar respostas ou fazer escolhas diferentes.

Confesso que olho para trás com alguma tristeza por ver tantas mudanças de emprego que fiz sem conseguir perceber que acabava sempre por ir dar ao mesmo.

Escolhia o fator empregabilidade, ao invés de apostar em autoconhecimento, novas competências e diferentes experiências.

Se eu tivesse alguém que me tivesse dito isto na altura, teria valido ouro!

É por isso que quero partilhar contigo algumas das aprendizagens que retiro de todos os percalços que tive enquanto não sabia o que queria e também algumas estratégias para aceitares melhor essa dúvida na tua vida.

Mudar de perspetiva

Quando digo que ando nisto há muito tempo, consigo recuar, pelo menos, até 2007: o ano em que terminei a Licenciatura em Assessoria de Administração e não sabia o que fazer a seguir.

Esta referência temporal é apenas para perceberes o quanto demorou até eu perceber o que significava a expressão “não sei” na minha vida.

Foi só em 2019, no processo de coaching que fiz com a Maria José Pita, que me foi apresentada uma perspetiva completamente transformadora.

Quando eu “não sei” existe todo um campo de possibilidades para explorar, o que torna esta expressão muito poderosa.

O importante é não ficar bloqueado na angústia de não saber o que vem a seguir e começar a fazer experiências que te possam levar a algumas certezas: quer mostrem que o caminho não é por ali, quer mostrem que estás no sítio certo.

Falar com as pessoas certas

Tal como eu encontrei conforto na minha Coach, é importante que encontres alguém no teu círculo de pessoas próximas, ou fora dele, que possa compreender a tua incerteza e as tuas dúvidas para te ajudar no sentido certo.

O mais frequente é as pessoas que nos são mais próximas quererem o nosso bem, o que passa por estabilidade e segurança.

Por isso, ao partilhar que não estamos satisfeitos com o nosso trabalho, mas que não sabemos o que queremos, é normal que a resposta seja algo do género:

  • “Isso há sempre qualquer coisa que não nos agrada. Não há trabalhos perfeitos.”
  • ou “É preciso é receber o salário no fim do mês.”
  • ou ainda “Deixa-te estar onde estás, tens condições tão boas que não vais encontrar noutro lado.”

Tive sempre a sorte de contar com o apoio da minha família nas mudanças de emprego que fiz. Mesmo que não concordassem com essas escolhas. Mesmo que também não percebessem afinal o que é que eu queria.

Já os amigos… “Mas já mudaste de trabalho outra vez?” ou “Então agora o que é que estás a fazer? Mudas tantas vezes que já perdi a conta” ou “O quê? Ainda estás na mesma empresa?”

É fácil não ser compreendido quando andamos em busca de algo que nós próprios não sabemos bem o que é.

Fazer este processo sozinho é difícil. Demorado. Muitas vezes, penoso. Por isso, não hesites em procurar ajuda.

Explorar ao máximo tudo aquilo que já sabes que não queres

O mais comum é conseguirmos identificar concretamente aquilo de que não gostamos no nosso trabalho.

Mas se ficarmos por aí não vamos chegar a lado nenhum.

O truque é perceber: “se eu não gosto disto, então o que me poderia trazer satisfação?”

Um exercício simples que podes fazer, e que eu própria utilizei para ganhar mais clareza sobre aquilo que queria:

  1. Lista tudo aquilo que não gostas na tua vida profissional atual e que não queres para o teu futuro (também podes refletir sobre experiências anteriores);
  2. Agora pensa no inverso e lista tudo aquilo que gostarias de ter para sentir realização;
  3. Lista como podes alcançar aquilo que te pode trazer realização.

Entrar em ação

Para saíres do remoinho do “não sei” só tens de dar um passo e iniciar o movimento.

Deixo-te este vídeo inspirador da coach brasileira Paula Abreu que explica precisamente “Como entrar em ação quando você não sabe o que fazer”.

Seguimos juntos!

Créditos da imagem: Foto de Mac Mullins no Pexels

9 Comments

  1. Muito obrigado por compartilhar esse vídeo, estou passando por isso, pedi demissão, mas estou perdido sem saber o que fazer e uma coisa tenho certeza, não quero mais trabalhar pra ninguém, porém, não sei o caminho pra seguir em frente, desde já, obrigado.

  2. Muito mas muito obrigada por seu compartilhamento de depoimento. Fiquei de boca aberta pois são muitos parecidos o que sinto co o que você descreveu inclusive na listinha que você fez.. Me sinto triste, às vezes incapaz de relaizar alguma mudança, presa… mas preciso mudar é urgente. Tenho 36 anos, há 12 na mesma empresa fazendo algo que no começo aturava mas agora já está insuportável. Enfim, estou na busca dessa descoberta e concordo plenamente com tudo que orientou e tod dica que deu.. realmente preciso entrar em ação e então saber se é isso mesmo o que quero fazer d avida. mas fico refém do salário.. das contas no fim do mês.. nossa como é difícil mas muito obrigada mesmo por cada incentivo.

    1. Olá Michele! Obrigado por essa partilha, que bom que foi útil. Ficar parado não leva a lado nenhum diferente de onde se está, é preciso começar fazendo pequenos passos. Vamos a isso? ?

  3. Obrigada pela partilha.
    Tenho 24 anos e por vezes sinto que
    ” não sei” se gosto do que faço, se o problema é da empresa onde estou… fico frustrada porque parece que todo o mundo sabe o que quer

    1. Olá, Ana.
      Obrigada pela tua partilha.
      Acredita que muitas pessoas não sabem o que querem, nem param para pensar sobre isso, simplesmente andam em piloto automático.
      Para encontrares mais clareza sobre o que precisas de mudar é preciso investigares e refletires sobre o que realmente gostas e o que não gostas.
      Se precisares de ajuda para esta reflexão, envia-me uma mensagem: ola@tiradagaveta.pt

  4. Grato pelo teu testemunho. Tenho 46 anos e estou num emprego estável à bastante tempo.
    Mas, também a muito tempo que sinto que estou cansado do meu trabalho e em especial da cidade onde estou (onde nasci e tenho a minha família).
    Não sei o que gostaria de fazer e não consigo tomar a decisão/coragem de me aventurar… sinto que estou “estacado aqui “.

    1. José, muito obrigado pela tua partilha. Talvez não precises de “aventurar” assim tanto, mas pelo menos trazer alguma novidade ao teu dia-a-dia. Experimentar um hobbie novo, passear para outras zonas do país que possam despertar algum interesse, … o importante é dares movimento a essa vontade de fazer algo diferente. No artigo tens vários exemplos de como o fazer, só tens de passar à ação 😉 Se continuares a fazer tudo igual, vai ser difícil aparecer algo diferente. Vamos a isto?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *